Segunda-feira, Julho 24, 2006
www.fqi.blogger.com.br
posted by vinicius at 8:08 PM
Comments:
posted by vinicius at 8:08 PM
Comments:
Sábado, Julho 08, 2006
O LÍDER
Um dos temas mais discutidos e que tem produzido mais material nos últimos anos é a questão da liderança. Milhares de obras escritas que se utilizam sempre das teorias da moda vestidas como a verdade definitiva sobre a "ciência" da liderança. O que mais assusta é que apesar dos milhões de edições e de tanta discussão parece que não se tem avançado em direção a um amadurecimento da questão. Nos próximos domingos vamos, juntos, refletir sobre a essência e as características de uma liderança autêntica à luz do conhecimento geral, da psicologia e, principalmente, das Escrituras.
A primeira pergunta que se faz é: o que é um líder? Não é difícil definir: um líder é alguém que exerce influência sobre outras pessoas. Um líder é um formador de opinião.
Algumas marcas de nosso tempo produzem uma gigantesca carência de líderes. A começar pelo declínio dos grandes blocos de pensamento, ideologia e fé. Tudo já foi questionado, todas as ideologias já declinaram, todos os dogmas já foram atacados. Vivemos numa era de profunda crise de autoridade. As pessoas andam inseguras, desequilibradas e carentes. A figura do líder acaba suprindo parte dessa carência. O líder é alguém que se pode admirar, é um bloco que ainda permanece de pé. Sua liderança traz segurança, conforto, abrigo e equilíbrio, seja em família, no trabalho, na Igreja ou em qualquer outro ambiente.
Outro aspecto é a desestruturação do velho conceito de família que é uma das conseqüências práticas de um fenômeno que chamo de "plastificação" do amor ou seu total esvaziamento e superficialidade. A solidão do ser humano à mercê dessa ideologia gera uma lacuna que é preenchida em parte pelo líder. Portanto, exercer liderança nos nossos dias reveste-se de uma profunda importância para o desenvolvimento da humanidade do outro.
Os verdadeiros líderes sobrevivem à prova do tempo e permanecem exercendo influência depois de sua partida, tanto para bem quanto para o mal. Seres humanos iluminados de Deus como nosso Senhor, como Sócrates, Francisco de Assis, Martin Luther King Jr., Paulo de Tarso, continuam a ser nossos líderes. Mas, infelizmente, outros como Adolf Hitler, Charles Manson e a corja de políticos corruptos brasileiros também têm seus liderados.
Há dois tipos de líderes, os autênticos e os impostos. Alguns líderes impostos podem se tornar líderes autênticos, mas é muito raro que isso aconteça. Líderes autênticos exercem sua liderança sempre com naturalidade porque são amados e respeitados por seus liderados. Líderes impostos precisam usar da força e do autoritarismo para conseguir a obediência de seus liderados, mas jamais conseguem o amor e a influência. Líderes autênticos produzem frutos em seus liderados com muita naturalidade. Líderes impostos ou falsos culpam, oprimem e espremem seus liderados para que produzam frutos. Líderes autênticos são ouvidos. Líderes falsos são aturados. Líderes autênticos falam. Falsos, gritam. Autênticos são modelo para seus liderados. Falsos são odiados ou desprezados.
O líder cristão é, necessariamente, um líder autêntico por simples razão: ele é eleito por Deus e tornado líder pelo povo. Ainda assim, infelizmente, conhecemos casos de lideranças que se corrompem e confundem liderança cristã com qualquer outra coisa. Uma das cruciais distinções que devem ser feitas é que o líder cristão exerce sua liderança sobre voluntários. Um líder em uma empresa pode e deve exercer uma liderança autêntica, mas será sempre o cabeça de liderados que aceitam sua liderança por causa da relação de troca que têm com a empresa. Ninguém está lá porque gosta, mas porque no fim vai receber pelo preço do seu trabalho dinheiro para pagar suas contas e adquirir bens de consumo ¿ é a nova forma que a modernidade encontrou para as antigas relações de escravidão. Só que agora o senhor tem CNPJ e logomarca.
Na Igreja não é assim, as pessoas se reúnem como uma comunidade eclesial porque responderam ao chamado de Deus em Jesus Cristo e o fazem no exercício da sua liberdade e livre vontade. O papel do líder é motivar, animar, chamar à responsabilidade com amor e mansidão. Não cabe ao líder cristão pressionar, interpelar, oprimir ou obrigar qualquer liderado a qualquer coisa. O líder cristão influencia pelas suas idéias e pelo seu exemplo e essa é a única maneira possível de se exercer uma liderança cristã autêntica.
Continuamos na próxima semana.
posted by vinicius at 3:27 PM
Comments:
Sexta-feira, Abril 21, 2006
QUE NÃO SE FAÇAM MAIS GALDINOS!
Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio.
(Caetano Veloso)
Os índios perceberam a chegada do europeu como um acontecimento espantoso. Seriam gente de seu deus sol ¿Maíra- que vinha milagrosamente sobre as ondas do mar. Provavelmente, seriam generosos.
Pouco mais tarde, essa visão se dissipa: eles percebem a tragédia que lhes apresentava. Mais tarde, com a destruição de todos os seus valores sociais, o despojo, o cativeiro, muitos índios deitavam em suas redes e se deixavam morrer, como só eles têm o poder de fazer.
Aos olhos da cristandade lusitana aquela indiada tinha um defeito capital: eram vadios, vivendo uma vida inútil e sem prestança. Aos olhos dos índios, aquela gente que vinha do mar parecia aflita e materialista demais.
Os europeus trouxeram consigo não apenas o seu Deus, mas a cárie dental, a coqueluche, a tuberculose, a varíola e o sarampo.
Segundo o sociólogo Darcy Ribeiro, havia 5 milhões de índios em 1500, em território brasileiro. Um século depois, restavam 4 milhões. Dois séculos depois, 2 milhões. Em idos de 1800, um milhão. Alguém pensou em genocídio?
No sangue derramado dos primeiros habitantes desta terra se construiu essa imensa nação chamada Brasil. E isso não é nenhum mérito, mas a primeiras das nossas vergonhas.
Da fusão étnica entre as índias e os portugueses surgiram os mamelucos ou brasilíndios, verdadeiros desbravadores deste vasto território. O termo mameluco originalmente se refere a uma casta de escravos que os árabes tomavam de seus pais para criar e adestrar em suas casas-criatório.
Os brasilíndios foram vítimas de duas rejeições drásticas. A dos pais, com quem queriam indentificar-se, mas que os viam como impuros filhos da terra. E a do gentio materno. Na concepção dos índios, a mulher é um saco depositário de sêmen. Quem nasce é o filho do pai, e não da mãe. O mameluco vivia, então, numa terra de ninguém, sem poder contar com nada e ninguém, a partir da qual constrói sua identidade de brasileiro.
O messianismo do belo poema de Caetano me despertou a atenção a fazer um paralelo entre a condição destas pessoas e a de certo judeu marginal que viveu na Galiléia e mudou a história do homem. Jesus foi uma andarilho, desbravador de gente, visto como vagabundo por muitos, rejeitado e expulso dos dois mundos em que vivia, judeu e romano, incompreendido e rejeitado pela própria família e povoado. Chega a Jerusalém para ser morto não como Filho de Deus, mas como mais um Galileu desordeiro, caipira, inculto e pretensioso. Morre numa cruz de vergonha e maldição.
Por triste ironia do destino, a Cristandade, tanto católica quanto protestante, acobertou e massacrou índios, brasilíndios e africanos. Nessa semana, ¿comemoramos¿ em feriado o maior embuste de nossa história, Tiradentes, o herói fabricado e esquecemos dos verdadeiros mártires da nossa pátria.
Que a Igreja pudesse pelo menos uma vez por ano se vestir de saco e cinza para chorar estes mortos, para nunca esquecer, para jamais repetir. Que ela assuma sua condição latino-americana ao encarnar para o presente Jesus Cristo em seu cuidado e identificação com o pobre e marginalizado. Para ser mais específico, com o negro, o mestiço, a mulher, o retirante, o caboclo, o caipira, o índio.
Que não se façam mais Galdinos, que não se façam mais Galdinos...
posted by vinicius at 9:04 PM
Comments:
Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
EVANGÉLICO, NADA! SOU CRISTÃO REFORMADO!
Amanhã, dia 31 de outubro comemoraremos os 488 anos da Reforma Protestante. A data seria o ano de 1517 quando o monge alemão Martinho Lutero colou na porta de sua paróquia, a catedral de Wittemberg, suas 95 teses contra a venda das indulgências. Nada melhor nessas datas comemorativas do que repensar a essência do ser cristão reformado.
A polêmica do título leva em conta o que o termo "evangélico" significa hoje. Os primeiros protestantes foram chamados evangélicos porque protestavam contra o sistema e a favor de uma volta para casa, o genuíno evangelho de Jesus Cristo. Os calvinistas, por sua vez, acabaram por popularizar outro termo: "reformados". A verdade é que somos descendentes históricos e espirituais de ambos esses movimentos. Agora, o que se quer dizer por "evangélico" hoje nada tem a ver com a reforma do século XVI que alcunhou o termo. Para mostrar isto, olhemos, resumidamente, os assim chamados cinco lemas ou bandeiras da reforma:
Sola Gratia - Somente pela graça. Não somos salvos pela salvação mais as boas obras. A moral, o comportamento, a igreja, a ortodoxia, o pecado, não são fatores determinantes. A salvação tem seu fundamento unicamente na vontade que Deus tem de trazer o homem de volta para Ele e mais nada. Não há crime mais hediondo nem pecado mais grave que seja maior que a graça de Deus.
Sola Fide - Somente pela fé. Não somos salvos pela crença que temos na trindade ou na inspiração das Escrituras, nem em como se lida com a sexualidade e o mundo. O instrumento da salvação é a fé somente. Não a fé em algum texto ou em alguma tradição, mas a fé em Jesus Cristo, Salvador do mundo.
Sola Scriptura - Somente a Escritura. Não a Escritura mais as novas revelações do Espírito. Não a Escritura mais a confissão e a tradição. Não a Escritura mais a palavra daquele influente e carismático líder. Não a Escritura mais as recentes profecias dos profetas de plantão. Não a Escritura mais aquela interpretação da mesma. Mas a Escritura e somente a Escritura como princípio de liturgia, ética, espiritualidade e doutrina.
Solus Christus -Somente Cristo. Não Cristo e a Igreja. Não Cristo mais a moral (sexual). Não Cristo mais o batismo. Não Cristo mais as boas obras. Somente Jesus Cristo é o encontro do homem com o Deus que salva.
Soli Deo Gloria -Somente a Deus a glória. A ninguém mais se deve glória a não ser Deus. Nada deve ocupar o lugar do absoluto e do incondicional. Nenhuma igreja, nenhuma tradição, nenhuma moral, nenhum costume, nenhuma confissão, nenhum sistema político, nenhuma teologia, nada. Glória somente a Deus.
posted by vinicius at 9:02 PM
Comments:
Pedro, trabalhador, homem de bem, pai de família.
Certa manhã de sábado, sua mulher chega em casa de cara amarrada depois de comprar o pão na padaria. Pedro pergunta, mas ela não responde.
Enquanto Pedro lava seu carro o vizinho da direita o chama: "Seu Pedro, não sei se devia mas me vejo na obrigação de te contar uma coisa... O Osvaldo (vizinho da esquerda) mexeu com tua mulher hoje de manhã e falou umas coisas...".
Pedro era conhecido por ser gente tranqüila, mas foi tirar satisfação com Osvaldo, que, por sua vez, depois da décima cervejinha devolveu meia dúzia de desaforos a Pedro e, pra completar, disse: "Mexi, sim. Quem manda ter mulher gostosa?!". E riu.
Pedro, então, irado, lembrou daquela velha pistola herdada do avô, guardada na estante. Entra em casa, molhado de silêncio, toma a velha arma, esquecida. Sai. Chama Osvaldo novamente, que solta mais alguns desaforos, seus últimos. Pedro o mata com cinco tiros.
Pedro, trabalhador, homem de bem, pai de família, assassino.
Recentemente, no festival de Cinema do Rio de Janeiro, foi exibido um filme muito interessante chamado 'Querida Wendy', que conta a história de um grupo de jovens sem sentido na vida, moradores de uma cidade do interior dos Estados Unidos, que funda um grupo pacifista (?) de estudo de armas de fogo. Como era de se esperar, na primeira situação de conflito apelam para a violência e tudo termina em tragédia.
Caros irmãos, hoje, vamos votar e decidir pela proibição ou não do comércio de armas de fogo e munição no Brasil.
A campanha do 'SIM' peca na manipulação das estatísticas, nas contradições, no fraco esclarecimento do 'Estatuto do Desarmamento'.
Sim, certamente, há outros interesses além da mera diminuição da violência. A campanha para o fim da escravidão, que começou na Inglaterra em fins do século XVIII, também tinha outros interesses, mas ninguém duvida que, apesar de tudo, foi algo benéfico para a humanidade.
A campanha do 'NÃO' se equivoca em mil teorias de conspiração e em categorizar a situação como restrição à liberdade do cidadão.
Sim, estão certos em afirmar que o desarmamento do cidadão não vai resolver um problema social de violência que é muito mais grave e profundo. Por outro lado, a apelação à consciência de liberdade da população é totalmente ignorante e manipulativa. Por exemplo, devemos lutar pela abolição do uso de cinto de segurança e do limite de velocidade dos automóveis por se tratar de restrição à liberdade do cidadão em não usar o cinto de segurança e andar na velocidade que quiser?
A história do homem nos mostra que há uma ligação indissociável entre a história da violência e a história da organização social e comunitária. O relato de Caim e Abel deixa isso claro. A violência de Caim contra Abel o transforma num refugiado e a origem da organização social e comunitária que herdamos até hoje.
O livro e filme '2001: Uma Odisséia no Espaço' conta o grande marco evolutivo da humanidade a descoberta não do fogo, mas que as pedras e ossos poderiam ser instrumentos de poder para se conseguir cumprir sua vontade e satisfazer suas necessidades de sobrevivência.
Em comum, há a idéia de que a violência é sempre uma ato de poder. A necessidade que o ser humano encontra dentro de si de usar uma arma é diretamente proporcional à sua necessidade de auto-afirmação, à seu desejo de transgressão da lei e do seu ódio à lei de Deus.
Independente do que qualquer cristão vai decidir no instante do voto, algumas coisas precisam ser esclarecidas.
Primeira, segundo a tradição bíblica, a origem da violência e das armas - instrumento oficial da violência - está ligada a um passado trágico de desobediência a Iahweh e abandono de Sua vontade.
Segunda, sem a "queda", sem o pecado, jamais haveria alguém para empunhar uma arma contra o seu semelhante.
Terceira, se a Igreja abandonar a utopia de construir ou de ser Nova Jerusalém, onde não há armas nem violência, nem uso abusivo de poder, ela perde a sua consciência de missão e torna-se mais uma das milhares de agências religiosas a gosto dos homens.
Quarta, a simples discussão do tema aponta uma reação positiva de uma sociedade cansada do derramamento de sangue de nosso cotidiano e pronta para ser vanguarda na América Latina e exemplo para o mundo.
Quinto, e mais importante, Jesus disse no Sermão do Monte algumas palavras que nos esquecemos:
"Felizes os misericordiosos, porque os tratarão com misericórdia" (Mt 5.7)
"Felizes os que procuram a paz, porque serão chamados filhos de Deus"(Mt 5.9)
"e alguém te dá uma bofetada na face direita, oferece-lhe a esquerda"(Mt 5.39)
Reflitamos e decidamos pelo melhor. Que o próprio Senhor nos oriente na escolha.
posted by vinicius at 8:40 PM
Comments:
Sábado, Outubro 08, 2005
Por esta causa me ponho de joelhos?
Foi lançado recentemente um folheto (?!) com a posição "oficial" da IPB em relação à questão da corrupção na política nacional. O folheto, citando Ef 3.14, chama-se "POR ESTA CAUSA ME PONHO DE JOELHOS".
Não quero parecer que sou contra a oração. Muito pelo contrário, acho essencial e bíblico que os cristãos orem pelos seus governantes. Esse é um conselho paulino dado aos cristãos num contexto de perseguição em que o máximo que se podia fazer era orar já que ser cristão era sinônimo de marginalidade.
Se Paulo fosse vivo hoje, no nosso contexto latino-americano, daria esse mesmo conselho? É óbvio que não. Creio que caminharia mais pelo conselho de Tt 3 "estejam prontos para toda boa obra" (v.1) e "os que têm crido em Deus sejam solícitos na PRÁTICA de boas obras" (v.8).
Será que o máximo que uma igreja reformada pode fazer nessa situação é campanha de oração? Uma igreja que age assim é tudo menos reformada. É uma igreja engessada, apagada, indiferente, que se nega vergonhosamente a cumprir sua missão profética de consciência do Estado e transformadora dos mundo. Fico imaginando Lutero observando a exploração do povo com a venda das indulgências e colar na porta de igreja de Wittenberg uma campanha de oração. É cômico - para não dizer patético - imaginar Calvino diante da necessidade de reforma social em Genebra dizendo "oremos pela nossa cidade... oremos pelos libertinos... oremos pelos refugiados".
Diante disso, nessa mesma semana, profeticamente o bispo católico Dom Luiz Flávio Cappio faz uma greve de fome de 11 dias em protesto contra a transposição das águas do rio São Francisco, é recebido pelo Ministro das Relações Institucionais, Jacques Wagner, e consegue uma audiência com o Presidente da República. Então, me pergunto... quem é o verdadeiro protestante?
Francisco de Assis, o mesmo que dá nome ao rio, orou assim certa vez:
"Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz"
E o grande apóstolo Paulo, antes de exortar à obediência às autoridades disse:
"Esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens" (Rm 12.17)
posted by vinicius at 9:05 PM
Comments:
Domingo, Setembro 18, 2005
PELO DIREITO DE CHORAR, SORRIR E SER LIVRE. PELO DIREITO DE VIVER NO MUNDO COM UTOPIA E IMPERFEIÇÃO
Como explicar que alguém criado e educado no seio da Igreja, jamais tendo se afastado dela, possa se tornar um adulto imaturo, mal desenvolvido, que não sabe lidar bem com as contradições e desertos da vida? O sociólogo francês Émile Durkheim, por exemplo, provou, ainda no fim do século XIX, que o índice de suicídio entre protestantes é muito maior que entre católicos.
Uma das explicações está na desastrada educação emocional que os setores mais conservadores propaga. A maioria de nós foi educado a ser uma máquina.
Os pesados sermões contra o pecado - sempre no sentido comportamental e cultural - nos levaram a considerar aquilo que é dito pecado como desumano, diabólico e anti-natural. Inclusive nossos fracassos, contradições e limitações.
O estereótipo da alegria cristã nos levou a acreditar que a tristeza, a depressão, a melancolia eo sofrimento são meros acidentes provocados pela nossa incapacidade de nos entregar totalmente à vontade de Deus e à intimidade com Ele.
A versão puritana da doutrina da santificação que diz que o homem é responsável pela sua própria santificação através do esforço pessoal levou muitos de nós à uma trágica ideologia de perfeccionismo, incapacidade de aceitar e lidar com os próprios demônios e à neurose.
O silêncio envergonhado sobre a sexualidade levou muitos de nós a erros infantis, imaturidade, decisões precipitadas e desastradas, quando não à perversão e a distúrbios comportamentais.
A repressão "militarizada" a respeito do próprio corpo e ao relacionamento com o mundo nos levou à alienação e à desumanidade.
Por causa disso muitos não suportam o "ser cristão" e desistem da caminhada junto à Igreja simplesmente para conquistar a mundanidade, a auto-aceitação e a liberdade necessária para se ser humano de uma maneira integral.
Nossa proposta é de um Cristianismo que nos dê utopia. Que nos ensine a lidar com os próprios fracassos. Que nos dê o direito de sofrer, chorar, errar e estar tristes. Que nos ensine a sermos imperfeitos de acordo com a vontade de Deus. Que nos ensine a lidar de maneira positiva e equilibrada com nossa sexualidade. Que nos introduza, nos apresente e nos ensine a transformar o mundo. Que nos dê de volta a liberdade que Cristo conquistou, mas nos foi tomada pelos homens da instituição.
posted by vinicius at 3:18 PM
Comments:
Sábado, Julho 30, 2005
IMPRESSÕES DE UM MOMENTO MARCANTE
Nunca somos os mesmos hoje do que fomos ontem. Nunca seremos os mesmos amanhã. Tudo nos muda, tudo nos transforma. Cada som, cada imagem, cada palavra, cada gesto, cada toque. Todo encontro nos transforma para sempre. Cada ser humano nos transforma para sempre. Cada lágrima derramada, cada riso, nos transforma. Cada música, cada poesia, cada pensamento. Somos assim, seres de profunda e contínua transformação. Ah, como seria bom se percebêssemos isso com maior clareza.
O poeta T.S. Eliot disse: ¿E ao final de nossas longas explorações chegaremos finalmente ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez¿.
Querendo ou não isso nos acontece. Uma experiência mais cortante se dá com Grigori Samsa, personagem de ¿A metamorfose¿, obra-prima de Franz Kafka, que acordou pela manhã e se viu transformado em um grande inseto. Não terá sido nele apenas o despertar de um longo processo de bestialização?
Para bem ou mal, somos afetados por tudo que nos cerca. Algumas coisas, entretanto, nos mudam com muito mais intensidade que outras. A bíblia fala de algo chamado ¿conversão¿, que significa mudança radical de rota. É um exemplo de intensa transformação. A transformação é tão forte que o corpo se abala. Paulo fica cego. Jacó fica aleijado. Ezequiel entra em transe. Somos avisados pelo nosso corpo que nossa alma está em metamorfose. Como isso é bom.
O FITEC ¿ Fórum Internacional de Teologia Contemporânea ¿ foi um desses momentos da mais intensa transformação, do mais profundo amadurecimento, para toda uma geração de jovens estudantes de teologia e interessados na matéria.
Entre as reflexões e propostas estão: o diálogo respeitoso e comprometido com as outras tradições cristãs; a teologia como busca da beleza perdida que foi-se embora de nós; a inserção da cultura latino-americana no refletir teológico; a necessidade da renovação litúrgica; a urgência do compromisso social; o perigo do fundamentalismo religioso, etc.
Por quatro dias, centenas de pessoas das mais variadas tradições cristãs estiveram juntas refletindo e compartilhando da mesa, do copo e da Palavra. Por quatro dias estiveram juntos na mais perfeita harmonia e no mais bonito bom humor e simpatia padres, pastores, estudantes, leigos, doutores, monstros sagrados do pensamento teológico, freiras, religiosos, rindo, brincando, chorando, desabafando, compartilhando.
O encerramento se deu no sábado, dia 30, com uma cerimônia ecumênica, onde foi quase impossível conter as lágrimas. Sabe por quê? Há momentos tão repletos de beleza, poesia e sentido que nos sentimos saciados, por um breve momento, da saudade infinita que habita em nós e que nos leva a Deus. Estes são os momentos que nos transformam mais. É quando a eternidade toca o tempo. A vida é incessante busca, no tempo, pelo toque da eternidade.
Que estejamos sempre sensíveis ao toque da eternidade.
Lembremos que o vento sopra onde quer, não sabemos de onde vem ou para onde vai, mas quando vem é terno e suave como uma brisa, mas depois que passa é arrebatador, transformador.
E nunca mais somos os mesmos.
posted by vinicius at 9:02 PM
Comments:
Sábado, Maio 21, 2005
"No amado acho as montanhas,
Os vales solitários, nemorosos,
As ilhas mais estranhas,
Os rios rumorosos,
E o sussurro dos ares amorosos;
A noite sossegada,
Quase aos levantes do raiar da aurora;
A música calada,
A solidão sonora,
A ceia que recreia e enamora"
(João da Cruz)
posted by vinicius at 6:49 PM
Comments:
Quinta-feira, Abril 21, 2005
Trecho de "A CONVERSÃO AO IMPÉRIO DOS CÉUS" (Mt 13.44)
I. O Encontro.
"Semelhante é o Império dos Céus a um tesouro escondido no campo, o qual, um homem tendo achado"
Em momento algum, o texto nos diz que ele estava procurando. Não se entra no Império dos Céus por força ou por mérito, mas pela graça daquele que impera. Para ser convertido ao Império dos Céus é necessário, primeiramente, ser encontrado pelo Deus triuno, o próprio Imperador.
Podemos dividir este encontro em quatro momentos.
I.1 Estado do homem antes do encontro.
Acometido pela ansiedade.
A ansiedade do destino e da morte. Preocupação predominante ao fim da Civilização Antiga - entre os ocidentais, mas ainda presente entre nós.
A ansiedade da culpa e da condenação, predominante no fim da Idade Média, mas ainda presente entre nós.
Finalmente, a doença dos nossos tempos, a ansiedade da vacuidade e da falta de sentido. O estranho sentimento de que na imensa engrenagem do universo impessoal, uma existência a menos não iria trazer nenhuma diferença e que a vida é um dormir e acordar, sem nenhum significado, até a morte.
Este é o estado de desespero humano, antes do encontro.
O dramaturgo inglês William Shakespeare resumiu magistralmente esse sentimento, ainda no século XVII, na tragédia Macbeth : "Que a vida é uma sombra ambulante : um pobre ator que gesticula em cena uma hora ou duas, depois não de ouve mais; um conto cheio de gritaria e fúria, dito por um louco, significando nada."
I.2 A desconfiança anterior ao encontro
"Você tá falando comigo ?"
"Deve ser com outra pessoa."
"Ah, meu amigo, quando a esmola é demais o santo desconfia."
Esse sentimento foi muito bem ilustrado na Parábola do diarista e do maior imperador do mundo, contada pelo teólogo dinamarquês do século XIX, Sören Kierkegaard. Nela, um diarista não acredita quando o maior imperador do mundo resolveu que ele deve se casar com sua filha.
I.3 O encontro propriamente dito.
Os céus não precisam se abrir. Anjos não precisam descer. Nem mortos saírem de suas covas. Antes, na clássica afirmação calvinista de que o conhecimento de si mesmo é ponte para o conhecimento de Deus.
Então, toda boca se cala !
Todo joelho se dobra !
Desaparecem a pretensão e a arrogãncia, a auto-suficiência, a piedade, a religiosidade, a ortodoxia, a fé que se gaba, o discurso racionalista, o valor próprio.
I.4 A possibilidade do escândalo pelo encontro.
Quem não crê. Quem não comete a ousadia das ousadias, o maior de todos os riscos, se escandaliza com a mensagem do Império, a mensagem do Deus crucificado. Parece-lhe uma história de loucuras, vazio e ingenuidade.
Se superar a possibilidade do escândalo entra inevitavelmente na segunda etapa da conversão ao Império dos Céus.
posted by vinicius at 6:42 PM
Comments:
Sábado, Março 05, 2005
Is 1.21-28
21 Como se transformou em prostituta, a cidade fiel? Plena de justiça, a retidão passava a noite nela, mas agora, asassinos.
22 Teu dinheiro se transformou em escória, teu vinho enfraquecido com água.
23 Teus líderes, rebeldes e companheiros de ladrões, todos eles amam o suborno e correm atrás de retribuições. O órfão não defendem e na contenda da viúva , eles não entram.
24 Por isso mesmo, dito do Senhor Iahweh dos Exércitos, força de Israel: ¿Ah, eu serei consolado da minha aflição e serei vingado dos meus inimigos.
25 Farei voltar minha mão sobre ti e refinarei tua escória como crisol e afastarei de ti todo refugo.
26 Farei de teus governantes como antes e teus conselheiros como no princípio, depois disso serão chamados como CIDADE DA JUSTIÇA, METRÓPOLE DA FIDELIDADE.
27 Sião, resgatada pela justiça, e os repatriados, pela retidão,
28 e a destruição dos rebeldes e pecadores, juntos, e os que deixaram Iahweh acabarão.
PARA QUE NÃO SE PROSTITUA A CIDADE FIEL
OU
COMO SE PROSTITUIU A CIDADE FIEL
I. DE CIDADE FIEL À PROSTITUTA;
II. A INTERVENÇÃO DA PALAVRA PROFÉTICA;
III. DE PROSTITUTA À CIDADE DA JUSTIÇA.
posted by vinicius at 9:42 AM
Comments:
Sábado, Fevereiro 26, 2005
Rm 6.12-14
12 Portanto, não impere o pecado no vosso corpo mortal para que obedeçais aos seus desejos (do corpo mortal),
13 nem dediqueis os vossos membros como armas de injustiça ao pecado, mas dediqueis vós mesmos a Deus como viventes dentre os mortos e os vossos membros como armas de justiça a Deus.
14 Pecado vosso, então, não se tornará senhor, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.
TEMA: ARMAS DE JUSTIÇA
I. Onde o pecado não impera, onde o pecado não se tornará senhor;
1.1 Onde o pecado não impera;
1.2 Onde não se obedece aos desejos do corpo mortal;
1.3 Onde o pecado não se tornará senhor.
II. Em contraste às armas de injustiça
2.1 O ser humano como arma;
2.2 Armas dedicada à injustiça;
2.3 Armas dedicada à justiça.
III. Viventes dentre os mortos ¿ os que estão debaixo da graça.
3.1 Os viventes dentre os mortos;
3.2 Não estão debaixo da lei;
3.3 Estão debaixo da graça.
posted by vinicius at 10:27 AM
Comments:
ISAÍAS 1.1-9
1 Visão de Isaías, filho de Amós, que viu acerca de Judá e Jerusalém, nos dias de Ozias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.
2 Ouvi, céus; dá ouvidos, terra; porque Iahweh falou: Filhos tornei grandes e exaltei, mas eles se rebelaram contra mim.
3 Conhece o boi seu dono e o jumento a manjedoura de seu senhor; Israel não conhece, meu povo não entende.
4 Ai, nação pecadora, povo carregado de culpa, semente de malignos, filhos corrompidos; abandonaram a Iahweh, desprezaram o Santo de Israel, desviaram-se para trás.
5 Por que continuar ferindo-vos repetidamente, vós que aumentais o afastamento, já que toda cabeça está doente e todo coração, enfermo?
6 Da sola dos pés até a cabeça, nada é íntegro; feridas, pancadas e golpes recentes, não espremidas, nem atadas, nem aliviadas com ungüento.
7 Vossa terra, desolada; vossas cidades, incendiadas; vosso solo, diante de vós, estrangeiros consomem, devastado como numa subversão de estrangeiros.
8 E abandonada a filha de Sião como moita na vinha, como cabana no pepinal, como cidade sitiada.
9 Se não tivesse Iahweh dos exércitos deixado um resto para sobreviver, por pouco como Sodoma seríamos, com Gomorra pareceríamos.
Tema : O abandono
I.O abandono a Deus (v. 2-4);
1.1 A quebra da aliança (v.2a) e a rebelião contra o Pai (v.2b);
1.2 O exemplo do mundo animal (v.3);
1.3 O triste resultado (v.4)
II.O abandono de Deus (v. 5-8);
2.1 Castigo (v.5);
2.2 O homem doente (v.6);
2.3 A terra desolada (v.7-8);
III.A possibilidade de um novo começo (v.9).
3.1 O julgamento que não aniquila;
3.2 A misericórdia do Santo;
3.3 O novo começo.
posted by vinicius at 10:25 AM
Comments:
Segunda-feira, Janeiro 24, 2005
SERMÕES POR E-MAIL
Quem quiser receber o sermão O TRIUNFO DA GRAÇA TRAZ LIBERTAÇÃO DO PECADO e A NOVA CONDIÇÃO HUMANA é so deixar o e-mail nos comentários.
posted by vinicius at 9:07 PM
Comments:
|